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sábado, 14 de julho de 2012

Gestores e Economistas na lista dos 100 mais influentes

À semelhança do que foi feito no ano passado, o Expresso voltou a publicar na sua Revista a lista das 100 personalidades mais influentes em Portugal nos últimos 12 meses. Este ano a lista foi restringida aos portugueses com influência em Portugal, ficando excluídas personalidades lusas com maior acento em territórios estrangeiros. Tal como se verificou no ano passado, e como seria de esperar pela importância que os principais líderes empresariais desempenham nas sociedades actuais, entre estes 100 ilustres estão vários ligados à Economia ou à Gestão. Cada um dos presentes na lista tem direito a uma pequena nota, que mistura a introdução biográfica com o salientar dos factos ocorridos no último ano que levaram a que fossem considerados influentes. Em alguns dos casos esses pequenos textos foram escritos por convidados nacionais e estrangeiros, pois o “influente” em questão é merecedor da sua admiração e estima, segundo a Revista. Ao olharmos para esta lista de ilustres influentes, podemos ver que estão presentes nos mais variados sectores de actividade, e que a sua influência é exercida das mais variadas maneiras, nunca deixando de ser notória. Um exercício interessante é o de pensarmos onde estas individualidades exercem influência nas nossas vidas. É fácil de ver, pois as instituições a que estão ligados ou as causas que defendem dificilmente nos são alheias. Se pensarmos nos nossos actos mais banais do quotidiano vemos lá muitas ligações a estas personalidades, o que ilustra eficazmente a enorme influência que exercem na nossa sociedade. Este ano são 21 as personalidades ligadas a estas áreas que figuram na lista dos 100 mais influentes (apresentados pela ordem pela qual figuram na publicação e com os títulos/ocupações presentes na sua descrição):

  • Alexandre Soares dos Santos - Presidente da Jerónimo Martins
  •  Nuno Amado – Presidente do BCP
  • Vítor Constâncio – Vice-Presidente do BCE
  • Francisco Pinto Balsemão – Presidente da Impresa
  • Ricardo Salgado – Presidente do BES
  • António Borges – Consultor
  • Pedro Queiroz Pereira – Empresário
  • António Saraiva – Presidente da CIP
  • Carlos Costa – Governador do Banco de Portugal
  • Américo Amorim – Empresário
  • Isabel Jonet – Presidente do Banco Alimentar
  • António Mexia – Presidente da EDP
  • António Pires de Lima – Gestor
  • Zeinal Bava – Presidente da PT
  • Vítor Gaspar – Ministro das Finanças
  • Jorge Coelho – Gestor
  • Albano Homem de Melo – Cofundador da H3
  • Fátima Barros – Economista
  • João Ferreira do Amaral – Economista
  • Álvaro Covões – Empresário
  • Luís Montez – Empresário

 Sublinhados:

 “É um líder que exerce a sua influência pelo exemplo, pela maneira como abraça e agarra os projectos em que se envolve.” 
  António Horta Osório sobre Nuno Amado

 “Agora, o ministro das Finanças nunca é alguém muito popular, mas convém que seja alguém a quem mesmo os críticos reconheçam competência técnica.” 
Eduardo Catroga sobre Vítor Gaspar

domingo, 13 de novembro de 2011

Trabalhadores portugueses mais caros e menos produtivos

A consultora de gestão Hay Group revelou os resultados de um estudo que efectuou acerca da competitividade do trabalho em Portugal e, como seria de esperar à luz do que têm sido os últimos anos, os dados não são os mais animadores.
Este estudo usou como principal base o indicador ROHC, Return on Human Capital, avaliando o retorno de cada euro investido nos trabalhadores e indica que os trabalhadores portugueses custam cada vez mais, mas são também cada vez menos produtivos.
Actualmente, por cada euro investido em trabalhadores portugueses, são produzidos hoje menos 6% de valor acrescentado do que há 15 anos. Este efeito negativo em muito se deve aos aumentos médios anuais dos custos com pessoal (4,2%) superiores ao aumento médio do valor acrescentado (3,7%). Este estudo vem assim evidenciar uma tendência e um problema já identificado no tecido empresarial português – a baixa produtividade e competitividade, muito em resultado também da aposta excessiva que foi feita no sector não transaccionável da economia durante as últimas décadas. Tudo isto, apesar de os trabalhadores portugueses serem dos que têm horários de trabalho mais extensos e salários mais reduzidos quando em comparação com os outros países da Europa.
Em entrevista ao “Expresso – Economia”, Luís Sitima, partner do Hay Group defende que as organizações deveriam relacionar os aumentos salariais não com a inflação mas sim com a produtividade, bem como que a aposta deve ser feita na exportação, na competitividade e na inovação, desinvestindo nos negócios que destroem valor.

Fonte utilizada: Expresso Economia, 12 de Novembro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Prémio Nobel da Economia 2011

Christopher Sims e Thomas Sargent

Foram divulgados esta segunda-feira os vencedores do Prémio Nobel da Economia de 2011. Os vencedores são Christopher Sims e Thomas Sargent, e foram galardoados pelas suas investigações na área da macroeconomia, mais especificamente sobre as implicações que a política económica tem em diversas variáveis como o PIB, a inflação, o emprego e o investimento, sendo os modelos desenvolvidos por ambos bastante utilizados actualmente para averiguar o impacto de várias políticas económicas. Os trabalhos desenvolvidos por ambos os economistas são independentes, mas segundo a Academia Sueca acabam por se complementar, daí o prémio ter sido atribuído conjuntamente.

Christopher Sims concluiu a sua licenciatura na área da matemática na Universidade de Harvard e obteve depois um doutoramento em economia pela mesma Universidade. É actualmente professor de economia na Universidade de Princeton, nos EUA, e tem desenvolvido muito do seu trabalho na análise do efeito das taxas de juro definidas pelos bancos centrais.

Thomas Sargent estudou na Universidade de Berkeley e obteve um doutoramento na Universidade de Harvard. Actualmente é professor de economia e negócios na Universidade de Nova Iorque, e dedicou maior parte do seu trabalho ao tema da inflação.

Fontes utilizadas:
Diário Económico
Expresso
Diário de Notícias

sábado, 13 de agosto de 2011

Marcadores (2) - David Ricardo



David Ricardo nasceu em Londres em 1772. A sua família era judaica, de origem portuguesa, e tinha-se estabelecido na capital britânica depois de ter estado na Holanda. O seu pai trabalhava na Bolsa de Londres, tendo David começado a acompanhá-lo na sua actividade com apenas 14 anos.
Aos 21 anos foi deserdado pela família por ter casado com uma mulher não judia, mas nessa altura tinha já vários conhecimentos no mercado bolsista, o que lhe permitiu manter-se na actividade em que tinha entrado com o pai durante mais alguns anos e constituir uma fortuna considerável.
Aos 27 anos, David Ricardo leu A Riqueza das Nações, de Adam Smith, livro que nessa altura lhe despertou o interesse pelos assuntos económicos.
Dez anos mais tarde, publicou o seu primeiro artigo económico e a sua obra mais notável, Princípios de Economia Política e Tributação, foi publicada corria o ano de 1817.
As suas ideias e pensamentos económicos tiveram grande influência na altura, tendo dado origem à primeira grande doutrina económica. Os seus seguidores formaram então a chamada “escola clássica”, que teve grande impacto no pensamento económico.
A sua teoria económica era centrada na Lei dos Rendimentos Decrescentes, especialmente quando interligada com as questões das rendas da terra cultivável, tudo isto numa altura em que a economia mundial estava essencialmente baseada na agricultura. Outros dos destaques da sua linha de pensamento foi a Lei da Vantagem Comparativa, acerca dos benefícios do comércio livre e da especialização das nações no que melhor produziam.
David Ricardo foi também membro do Parlamento Britânico, mais precisamente da Casa dos Comuns. Faleceu no ano de 1823, aos 51 anos.


Principles of Political Economy and Taxation
Londres, 1817


Fontes Utilizadas:
About.com Economics - The Life and Works of David Ricardo
Wikipedia - David Ricardo
César das Neves, João Luís. Introdução à Economia. 8ª edição. Lisboa, Verbo, 2007


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Leituras (5) - Economia, Moral e Política, de Vítor Bento



No seguimento da colecção de estudos acerca da realidade portuguesa organizados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, foi publicado este ano o livro “Economia, Moral e Política”, da autoria de Vítor Bento, economista e mestre em Filosofia.
O autor faz uma análise e uma explicação dos ciclos económicos, mas não apenas de um ponto de vista teórico, fazendo também uma introdução à acção política e à moralidade dos intervenientes na economia mundial, relacionando assim as três variáveis, culminando numa obra que retrata bem os problemas actuais da economia e que dá uma outra visão bastante importante para a sua compreensão, analisando em que medida estes mesmos problemas são ou não criados pela mudança nos padrões morais da sociedade.
O livro está dividido em quatro capítulos. Um primeiro, intitulado “Economia e Moral”, onde começa a ser feita a relação entre as três variáveis presentes no título, análise introdutória que é terminada no segundo capítulo, “Economia, Ciência e Política”. O terceiro capítulo, “Financiamento e Eficiência Económica”, apresenta-nos o sistema financeiro mundial, elucidando-nos acerca de algumas das suas regras e produtos, mas também, e principalmente, quais os seus problemas e perigos. No final do livro, juntam-se os três capítulos anteriores numa análise à actual crise mundial, onde o autor nos deixa a ideia de que a actual crise é não só económica e financeira, mas também moral e que as sociedades foram empobrecendo os seus valores morais, deixando a porta aberta para que este tipo de situações (crises) se suceda.
Nesta última parte, a Economia, a Moral e a Política são verdadeiramente integradas e colocadas sobre a actual crise, mostrando como tudo se começou a desenrolar e ainda não terminou. Vítor Bento aponta a ganância, a valorização da riqueza material acima de tudo, a pressão constante por melhores resultados contabilísticos e sobretudo a perda de valores morais e de ética por parte de grande parte da população, em especial dos dirigentes das empresas, como uma das pedras basilares desta crise.
A verdade é infelizmente essa e somos confrontados com ela todos os dias, sucedendo-se os casos de corrupção e de outros crimes, tudo em prol muitas vezes do resultado a curto prazo que fique bem nos relatórios e contas, sacrificando muitas vezes a sustentabilidade da empresa e/ou das próprias nações.
Toda essa análise alastra-se também, quando necessário, à actuação dos Estados, onde também reinam os problemas acima referidos, acrescendo o endividamento, as más políticas, entre outros, que colocam em risco a sustentabilidade de países inteiros.
Este livro está escrito de uma maneira bastante compreensível e fácil de ler, onde os termos demasiado específicos não abundam, e, mesmo quando presentes, são explicados, muitas vezes até com exemplos. Cada um dos capítulos principais está dividido em subcapítulos de poucas páginas, o que facilita também a leitura e a organização da informação.

Sublinhados:

«Mas como a vida social precisa de valores comuns para se poderem regular as interacções sociais com um mínimo de eficácia funcional, a relativização dos valores intangíveis acabou por fazer emergir como “âncora” socialmente reconhecida o único valor cuja tangibilidade permite estabelecer facilmente comparações e hierarquizações: a riqueza material.»

«Sendo a acumulação e ostentação de riqueza o valor dominante do reconhecimento social, quem lhe tentar interpor outros valores nas suas preferências pessoais acaba por ter resultados inferiores naquela acumulação. E será facilmente afastado dos processos de decisão, em favor de decisores menos escrupulosos e mais dispostos a subalternizar os valores intangíveis.»

«De facto, foi, confiantes na arrogante crença de que a apreensão da complexidade relacional da vida social, por sofisticadas fórmulas matemáticas, seria apenas uma questão de capacidade de processamento informático, que muitas instituições financeiras deixaram a gestão dos seus riscos à última moda dos modelos matemáticos, em detrimento do pouco científico, mas razoável, juízo humano, apoiado na humildade, no bom senso e na dúvida metódica. Com o resultado que ficou à vista.»

«Só que a preferência dada à equidade tende a embotar a eficiência, pois que a sua acção se destina a contrariar os estímulos que levam ao empreendedorismo, à assunção de riscos e à criatividade. Pelo que a prolongada persistência na prioridade dada a tais critérios, muitas vezes ditada por fundamentos populistas, pode acabar por, sacrificando a dimensão do bolo a distribuir, conduzir a um empobrecimento relativo de toda a sociedade.»

«A resolução da presente crise implica, antes do mais, o esvaziamento da bolha financeira. O que, por sua vez, implica a destruição da riqueza artificialmente criada, mas que, tendo sido percebida como real, fundamentou um padrão de consumo e de investimento. Padrão esse que agora terá de ser também ajustado para níveis assentes em valores de riqueza e rendimento sustentáveis.»

domingo, 1 de maio de 2011

Os 24 dos “100 Mais Influentes”


Na edição da revista Única de ontem (Expresso, nº2009, 30 Abril 2011), o tema de capa é a lista das 100 personalidades mais influentes no nosso país actualmente.
A escolha foi elaborada por jornalistas do Expresso e debatida com 26 personalidades, onde vigoram apenas nomes portugueses, radicados em Portugal ou no estrangeiro, tendo sido o período de análise os últimos 12 meses.
Uma leitura desta lista permite-nos ver que nas esferas do poder e da influência em Portugal estão presentes personalidades da cultura, desporto, justiça e outras áreas, mas em destaque aparecem dois sectores, a política e as empresas/economia.
Assim, aqui fica a lista dos influentes portugueses ligados à Gestão e à Economia (apresentados pela ordem pela qual aparecem na publicação), num total de 24, que merecem nas colunas do Expresso apontamento com direito a pequenas histórias dos respectivos percursos biográficos ou das intervenções mais importantes por que são conhecidos:

• Alexandre Soares dos Santos - Presidente do Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins
• João Duque – Presidente do ISEG
• Fernando Ulrich – Presidente da Comissão Executiva do BPI
• Henrique Medina Carreira – Advogado Fiscalista
• Belmiro de Azevedo – Chairman da SONAE
• António Horta-Osório – Presidente Executivo do Lloyd’s Bank
• Teixeira dos Santos – Actual Ministro das Finanças
• Zeinal Bava – Presidente da Portugal Telecom
• António Mexia – Presidente da EDP
• Américo Amorim – Presidente do Grupo Amorim
• Ricardo Salgado – Presidente do BES
• Francisco Bandeira – Presidente do BPN
• Eduardo Catroga – ex-Ministro das Finanças
• Carlos Costa – Governador do Banco de Portugal
• Miguel Pais do Amaral – Grupo Leya e Media Capital
• Ângelo Correia – Presidente do Grupo Fomentinvest
• Vasco de Mello – Presidente do Conselho de Administração do Grupo José de Mello
• Vítor Constâncio – Vice-Presidente do BCE
• Francisco Pinto Balsemão – Presidente Grupo Impresa
• Alfredo Cunhal Sendim – Gestor da Herdade do Freixo do Meio
• Dionísio Pestana – Presidente do Grupo Pestana
• Isabel Jonet – Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome
• Carlos Pimenta – Gestor de várias empresas ligadas às energias renováveis
• Vítor Bento – Presidente do Conselho de Administração da SIBS

quarta-feira, 2 de março de 2011

Economistas mais influentes da última década e do período pós-crise

Recentemente, o jornal “The Economist” promoveu uma sondagem para apurar quais os cinco economistas mais influentes da última década e também os economistas cujas ideias e teses se tornarão importantes no período pós-crise.
Na análise à última década, em 1º lugar aparece o nome de Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal Americana (FED), seguido de John Keynes, cujo pensamento económico característico do período pós-crise de 1929 é ainda tido em grande conta, tendo alguns dos seus princípios sido aplicados por líderes mundiais recentemente.
Quanto aos economistas cujas ideias serão cada vez mais influentes no futuro, a lista é liderada pelo Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago, cuja obra mais conhecida é “Fault Lines”, em que atribui aos governos e à sua atitude facilitadora da expansão sem dimensões do crédito uma grande contribuição para a actual crise.

Listas Completas:
Qual foi o economista mais influente da última década?
1. Bem Bernanke
2. John Maynard Keynes
3. Jeffrey Sachs
4. Hyman Minsky
5. Paul Krugman

Qual o economista cujas ideias serão mais importantes num mundo pós-crise?
1. Raghuram Rajan
2. Robert Shiller
3. Kenneth Rogoff
4. Barry Eichengreen
5. Nouriel Roubini

Fonte: Expresso ("Economia"), nº1999, 19 de Fevereiro de 2011

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Leituras (3) - "Economia Portuguesa, as últimas décadas" de Luciano Amaral



Recentemente, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (que apresenta como objectivo principal a promoção e o estudo da realidade portuguesa, sendo responsável por vários projectos, como o portal Pordata) lançou um conjunto de estudos precisamente sobre a realidade portuguesa em várias áreas, desde a educação à economia, passando ainda pela justiça fiscal.
Um desses ensaios, da autoria de Luciano Amaral, intitula-se Economia Portuguesa, as últimas décadas, e faz uma análise do que tem sido a economia portuguesa pós-25 de Abril, e de quais têm sido os principais problemas, mas também virtudes da nossa economia nestes últimos 35 anos, responsáveis pelo estado em que hoje nos encontramos.
O livro faz assim um retrato detalhado dos acontecimentos económicos que colocaram Portugal na difícil situação em que se encontra actualmente, dando como exemplo o descalabro em termos de aumentos salariais em 1975, a fraca produtividade dos trabalhadores portugueses face aos seus salários, a entrada no euro e as condições que se têm criado para a expansão do sector não transaccionável da economia como algumas das principais razões para o descontrolo económico do país durante grande parte das últimas décadas. É ainda feita uma análise à relação existente entre a educação e o desenvolvimento económico, aposta que em Portugal não tem tido os efeitos pretendidos. Apesar de tudo, ao longo do livro vemos também que em Portugal também tem havido boas práticas económicas que nos levaram a bons ritmos de crescimento sobretudo no início dos anos 90, e que chegaram a catapultar a nossa economia como um caso de sucesso e de estudo.
Apesar de se tratar de um livro de economia, todo o texto está escrito de uma maneira bastante acessível, onde não abunda uma linguagem demasiadamente técnica, ou seja, que pode ser lido facilmente por qualquer pessoa sem grandes conhecimentos na área económica, havendo inclusive, um glossário no final onde estão presentes as definições dos poucos termos menos acessíveis utilizados na obra.


Sublinhados:
“A importância do Estado para o aumento do investimento no país é indubitável. Mais problemática é a qualidade desse investimento.”

“Por vezes a relação é estabelecida de forma quase directa: mais educação seria igual a mais crescimento económico. Sem negar a importância da formação escolar, veremos mais adiante que, tanto a nível social como económico os seus efeitos benéficos são um pouco menos óbvios. Eis algo que, entre outras coisas, tem consequências para a própria política educativa, nomeadamente quando tanta esperança é colocada na relação directa entre gasto público e aumento dos níveis educacionais.”

“Curiosamente, esta actividade permanente acaba por representar um obstáculo à capacidade do Estado-Providência para cumprir o objectivo da igualdade de rendimento. É que o frenesim reivindicativo a que se sujeita conduz à criação de especialistas em reivindicação, cuja tarefa é obterem as melhores condições de remuneração possíveis. Só que estes especialistas não correspondem necessariamente aos mais carentes, mas apenas aos mais capazes de negociar.”

domingo, 26 de setembro de 2010

Marcadores (1) - Adam Smith



Adam Smith nasceu em Kirkcaldy, na Escócia, no ano de 1723. Frequentou a Universidade de Glasgow e, posteriormente, a de Oxford até 1746, tendo efectuado os seus estudos na área da Filosofia Moral.
Em 1751, iniciou a sua vida académica como professor, também na Universidade de Glasgow, onde leccionou precisamente a cadeira de Filosofia Moral. Para além das obrigações académicas, Smith desenvolveu importantes investigações em teorias na sua área, sendo, a par de David Hume, seu amigo e colega filósofo, uma das principais figuras do iluminismo escocês. As suas investigações culminaram numa importante obra deixada na área da Moral.
Em 1762, Smith abandonou a carreira docente e tornou-se tutor do jovem Henry Scott, Duque de Buccleuch. Com o seu tutorando, percorreu então a Europa durante quatro anos, tendo tido a possibilidade de privar com outros grandes intelectuais da sua geração, como Voltaire, Benjamin Franklin, D’Alembert, entre outros.
Adam Smith desenvolveu ainda grande interesse pelos assuntos económicos, área de estudo a que se começou a dedicar ainda em Glasgow, tendo publicado em 1776 um dos livros de maior relevo na Economia, An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, ou simplesmente The Wealth of Nations (A Riqueza das Nações), livro que teve desde logo um enorme sucesso e que fez com que Adam Smith fosse apelidado como o “Pai da Economia”.
Nessa altura, mudou-se para Edimburgo, cidade onde acabou por falecer em 1790.



Monumento a Adam Smith, em Edimburgo

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Luís Mira Amaral na Ensino Magazine

Na edição nº 150 da Ensino Magazine, de Agosto de 2010, Luís Mira Amaral, economista e presidente do Banco BIC português dá uma entrevista, fazendo a sua análise ao actual estado da economia e da educação em Portugal.
Na entrevista, o antigo ministro revela as suas perspectivas pouco animadoras face à actual situação portuguesa, retratando e criticando algumas da políticas que foram tomadas pelos sucessivos governos, sobretudo no período após a entrada no euro, e sugerindo ainda alguns reparos que considera necessários para que a economia portuguesa possa ter melhores dias num futuro próximo.
Para além de economia, Mira Amaral fala também de educação e da relação que a falta de rigor e os facilitismos do nosso sistema educativo têm com a situação económica do país, sobretudo com o problema do desemprego. É particularmente analisada a situação actual das Universidades, tanto públicas como privadas, que formam alunos em excesso em determinadas áreas, promovendo o desemprego, quando há depois falta de profissionais em muitas outras áreas, para além da falta de qualificações com que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho.

Da entrevista destaco quatro citações:
1.“Os engenheiros civis sabem que um edifício aparentemente muito sólido é o primeiro a ceder a um tremor de terra. Os edifícios que resistem são os que mexem, abanam, mas não quebram. Esta imagem quer dizer que os sistemas abertos ao exterior têm de ter graus de liberdade que se acomodem aos choques externos. No tempo do escudo tínhamos instrumentos que permitiam controlar as crises. Quando entrámos na moeda única perdemos esse instrumento e devíamos ter começado a flexibilizar os mercados de trabalho e emprego, apostar na educação e na qualificação, de modo a aumentar a produtividade, etc. O desemprego galopante e o desequilíbrio das finanças públicas são apenas duas consequências de nada ter sido feito.”

2.“O sistema de ensino tem formado gente em demasia para determinadas áreas e esqueceu o ensino técnico e os quadros intermédios que as PME precisam como de pão para a boca. Quis tudo ser doutor e engenheiro e agora há muito gente sem qualificações adequadas para o mercado de emprego.”

3.“A escola transmite sinais de facilitismo que a vida real não tem. A vida profissional dos jovens de hoje é muito mais dura do que foi a minha, mas não é essa a mensagem que passa durante as aulas. Estão a ver o filme ao contrário. O cenário lá fora é de tremenda competição e o desemprego agravou as dificuldades.”

4.“Tem-se gasto muito dinheiro no sector do ensino, mas muito mal gasto. O sistema não precisa de mais dinheiro, precisa é de rigor e competência. Urge acabar com o facilitismo instalado.”