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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

The Joneses - Uma família com etiqueta




The Joneses, ou Uma família com etiqueta, de acordo com o nome adoptado em Portugal, é um filme realizado por Derrick Borte, contando com Demi Moore e David Duchovny nos principais papéis e que relata as vivências da família Jones.
No início do filme, esta família, aparentemente perfeita, ou até talvez mais que perfeita, instala-se num abastado subúrbio americano onde o nível de vida e os rendimentos familiares são de topo. Desde cedo, os membros da família Jones começam a criar laços com os seus novos vizinhos, tornando-se notados e admirados no seio da nova comunidade onde se inseriram. Pouco tempo após a mudança, a família Jones tinha-se tornado já um fenómeno de popularidade e reconhecimento, muito devido ao seu estilo de vida exuberante e vistoso. Produtos topo de gama das melhores marcas e todas as novidades no mercado eram constantes no estilo de vida da família, dando nas vistas junto dos vizinhos, que, a pouco e pouco, começaram a tentar recriar para si uma amostra do estilo de vida dos Jones.
Acontece que esse era exactamente o objectivo desta família com a sua mudança para este bairro. A família Jones, tão perfeita que parecia, não era mais que um conjunto de 4 vendedores, que se faziam passar por uma família, mesmo não o sendo na realidade, cujo objectivo passava exactamente por fazer os vizinhos abonados financeiramente adquirir os produtos usados pelos Jones. Um tipo de marketing altamente eficaz e direccionado ao público-alvo, que vendia de tudo, desde automóveis, tacos de golfe, roupa, acessórios de beleza, entre muitas outras coisas. A família aparentemente perfeita não era mais que uma unidade de uma empresa que colocava os produtos de várias marcas no mercado.
O filme é engraçado, contando com momentos de humor mas também de algum drama. Consegue, desta maneira, ainda assim fazer uma crítica dirigida à sociedade de consumo, em que as marcas e o desejo por novos produtos criaram a espiral consumista em que muitas pessoas vivem, ilustrando também possíveis consequências desses mesmos hábitos.
O filme faz também um bom retrato dos processos de comportamento do consumidor através dos esforços das personagens para aumentar as suas vendas individuais. A importância das figuras de referência, dos líderes de opinião nos processos de consumo, bem como o papel das modas e do factor de inclusão “social” das compras são apenas alguns dos aspectos patentes directa ou indirectamente no filme.
Um filme engraçado e interessante, que alia dinâmicas e pontos de vista curiosos em termos de comportamento de consumidor, num registo mais hollywoodesco.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Rogue Trader - A história de Nick Leeson


“Rogue Trader” é um filme que relata a sucessão de episódios que levaram, no ano de 1995 à falência do Barings Bank, à data uma das mais antigas instituições bancárias mundiais.
É a história real de Nick Leeson, o trader cujas arriscadas “jogadas” no mercado dos derivados levaram a que o banco registasse perdas recorde na ordem dos 800 milhões de libras. “Rogue Trader” mostra-nos com algum pormenor a vida na bolsa e também o nível de risco que caracteriza os mercados financeiros.
Para reverter um erro cometido por um dos membros da sua equipa, Nick Leeson começa a negociar posições no mercado dos derivados sem autorização do banco e também contra as regras estabelecidas pela bolsa de Singapura, onde toda a acção se passou. Esta primeira infracção deu então origem a uma sucessão de apostas falhadas e ilegais, que foram sendo permanentemente omitidas da direcção do banco e que resultaram na catástrofe que pôs fim ao legado de uma grande instituição bancária. 
A história em si é interessante e é de relevância acrescida por mostrar o que é a vida nos mercados financeiros, em especial no de derivados, e a ténue linha que separa ganhos colossais de perdas desastrosas. Podemos ver também que, apesar da autoria das negociações ser do próprio Nick Leeson, a verdade é que a situação em muito beneficiou da falta de regulação, auditoria e controlo por parte do banco (pelo menos segundo o enredo do filme).
Este ponto de vista, quase que explicativo sobre os mercados financeiros, a sua complexidade e capacidade de inovação e risco, é sem dúvida interessante. Fazendo até o paralelismo com a génese das actual crise, vemos também que estes mercados têm vantagens e permitem formas de financiamento que antes não eram possíveis, mas que, levados ao limite, e em especial não sendo regulados da forma mais conveniente, podem sem dúvida levar a situações ruinosas para as instituições bancárias em particular e para as economias em geral.