terça-feira, 27 de setembro de 2011

As marcas da nossa vida (17) - Disney


Corria o ano de 1923 quando Walter Elias Disney, chegou a Los Angeles, a capital do cinema, para tentar relançar uma carreira no cinema de animação que tinha já começado em Kansas City, mas sem grande sucesso. Tal como muitos que chegaram a LA para vingar no cinema, Walt Disney pouco mais tinha que esse sonho. A sua situação financeira não era propícia a novos negócios e estava agora numa cidade e numa realidade completamente diferentes. Apesar do panorama, Walt, com espírito empreendedor, alugou uma câmara e montou um estúdio na garagem de um tio. Aí, em parceria com o seu irmão Roy, Walt deu origem à Disney.
Os primeiros tempos foram conturbados. A sua primeira série de filmes, Alice, pouco chegava para manter o estúdio. Quando tentou a sorte com outra série de animação, Oswald the Rabbit, a distribuidora com quem tinha contrato levou-lhe a série e maior parte do seu pessoal. No entanto, foi este pequeno revés que despoletou todo o universo Disney que conhecemos.
Para se lançar de novo, Walt criou uma nova personagem, o rato Mortimer. Por indicação da sua mulher, Lily, o rato deixou de se chamar Mortimer e passou a Mickey. Em 1928, o rato Mickey apareceu no seu primeiro grande filme, Steamboat Willie, que durava 7 minutos e foi o primeiro filme de animação a sincronizar som com imagem.

Cartaz do filme Steamboat Willie

O sucesso da personagem foi imediato e catapultou a Disney para um novo período. Em 1932, com o filme Flowers & Trees, Disney ganhou o primeiro Óscar atribuído a um filme de animação. Em 1937, Disney lançou a sua primeira longa-metragem, Branca de Neve e os Sete Anões. Ainda na década de 30, Walt Disney implementou um sistema de bónus aos colaboradores, para os premiar pelo seu trabalho e puxar pela sua produtividade.
Com o desenvolver da 2ª Guerra Mundial, o estúdio perdeu acesso aos mercados estrangeiros e passou por algumas dificuldades, mas ainda assim lançou nesse período algumas das suas obras-primas, como Pinóquio, Fantasia, Dumbo e Bambi. Em apenas uma década, Disney passou do simples Steamboat Willie para longas-metragens elaboradas e de grande sucesso.
Apesar do sucesso no cinema, Walt Disney queria expandir o negócio da empresa e pensou num local onde toda a família pudesse ir, pois tinha identificado esta lacuna nos espaços de entretenimento. Assim nasceu o projecto da Disneyland, que abriu em 1955, em Anaheim, na Califórnia. A abertura deste parque foi na altura o lançamento de um conceito totalmente novo de local de entretenimento e serviu de inspiração e de base para muitos outros parques de diversões espalhados pelo mundo.
Nos anos 60, a inovação nos estúdios Disney continuou e daí saíram êxitos como A Bela e o Monstro, ou os 101 Dálmatas. Outro filme com que a Disney marcou profundamente a história do cinema foi Mary Poppins, lançado em 1964, que se diferenciava por ser um filme de animação, mas onde entravam também actores reais, e onde foram introduzidos efeitos especiais de vanguarda.
Em 1966, porém, deu-se um acontecimento que marcou o fim de uma era na empresa. O seu fundador, Walt Disney, faleceu aos 65 anos. Nessa altura, o seu irmão mais velho, Roy, com quem trabalhava já, tomou conta da empresa. Walt Disney era a principal figura da empresa, e admirado por todos, apesar da cultura rígida que tinha imposto na empresa, rigidez essa que se estendia desde um código de vestuário até à pouca capacidade de perdoar erros, entre outros exemplos.
Antes de morrer, Walt Disney projectava já outro parque temático, para o qual já tinha comprado uma vasta porção de terreno na Flórida. O seu irmão continuou essa ideia, e, em 1971, abria o Walt Disney World, em Orlando. Roy Disney faleceu apenas dois meses após a abertura do parque, tendo a gestão da empresa sido assumida por uma equipa de trabalhadores da empresa, que tinham sido já “treinados” pelos dois irmãos.
Em 1983, abriu o primeiro parque temático fora dos EUA, mais precisamente em Tóquio, no Japão. Os japoneses, fãs confessos do universo Disney na altura, reagiram muito bem ao projecto, o que se revelou nas taxas de afluência ao parque.
No entanto, nem tudo ia bem no mundo Disney. Devido essencialmente à estrutura de custos pesada, os estúdios passavam por um período de pouca saúde financeira. Esta situação precipitou uma mudança na gestão e, em 1984, Michael Eisner e Frank Wells tornaram-se os novos CEO da empresa.
A nova direcção acreditava que a Disney não podia continuar a ser vista como um estúdio de cinema e uma gestora de parques de diversões, mas que tinha que passar para uma nova dimensão e ser considerada uma empresa de entretenimento familiar. Esta política levou assim a uma expansão da marca e a uma maior exploração da rentabilidade das suas personagens e dos seus recursos. Foram abertas mais lojas Disney e produzidos muitos mais produtos de merchandising das personagens favoritas da Disney. Em relação aos filmes, foram lançadas novas edições dos grandes clássicos, e grande parte dos filmes realizados nessa altura foram êxitos de bilheteira. Este ímpeto expansionista só terminou com a abertura da Euro Disney, em Paris, no ano de 1992.

Estátua de Walt Disney, com Mickey - Walt Disney Studios Paris

Poucos anos depois, os filmes de animação tiveram uma nova fornada, com sucessos como Pocahontas, Rei Leão, Corcunda de Notre Dame ou Mulan, a serem lançados com poucos anos de intervalo. No ano de 1995, iniciou-se também a pareceria entre a Disney e a Pixar, empresa de Steve Jobs, com a produção do primeiro filme de animação digital, Toy Story. Desde então, essa parceria tem sido responsável por muitos dos últimos sucessos da Disney.
Em 1996, a empresa deu um passo de gigante no que toca a expansão do negócio, ao avançar para a compra do grupo Capital Cities/ABC, pela quantia de 19 biliões de dólares, adquirindo assim um dos maiores grupos de media americanos, dono de vários canais de televisão, estações de rádio e jornais.
No ano de 2005, Robert Iger tornou-se o novo CEO da empresa, tendo esta entrado um novo ciclo de crescimento. Uma das suas primeiras grandes decisões foi a de adquirir a Pixar, com quem a Disney tinha já uma produtiva parceria. Nos anos seguintes sob a gestão de Iger, a Disney registou lucros elevados, devido ao sucesso de vários dos filmes, como a série Piratas das Caraíbas, ou séries na ABC como Donas de Casa Desesperadas ou Anatomia de Grey.
Em toda a sua história, a Disney tem mudado bastante, mas tem conseguido manter durante toda a sua história a mística e a magia que envolvem o seu universo, estendendo-se isso não só aos consumidores mas também a todos os colaboradores. A sua história mostra-nos também que uma clara definição da actividade da empresa e do mercado em que se quer inserir, bem como um total aproveitamento dos seus recursos fazem toda a diferença entre uma situação complicada e um sucesso estrondoso.

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